Não nos devemos conformar com a injustiça. A
justiça é melhor do que a injustiça, verdade tão antiga e óbvia como Platão a
enunciou, mas que importa ir lembrando, pois, por vezes, quanto maior é a
evidência, maior o esquecimento.
Mesmo que a democracia onde a possamos defender
seja frágil, falível, em deriva oligárquica, ou até precária, só aí é possível
a liberdade e a justiça social, uma liberdade que não tem que ser temida, uma
justiça social que deve pelo menos ser respeitada e humanista, que se não puder
ser a ideal, que seja a possível, mas que continue sempre como um objetivo da
nossa sociedade.
Não devemos acumular mais amargura e desilusão
pela justiça, nem podemos ficar indiferentes à impunidade, à corrupção e à
injustiça que muitos querem afirmar como regra e fado inelutável. Temos de
procurar a mudança.
A justiça é instrumento de emancipação e de
iluminação. Não passou o tempo da emancipação, o de viver com igual dignidade e
direitos num mundo que fatalmente permanecerá desigual, mas em que o esforço de
fazê-lo menos desigual valerá a pena. Ainda que pareça utópico, é isso que nos
faz caminhar, é isso que, sem descanso, devemos ambicionar.
Rui
Cardoso, Presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público

Nenhum comentário:
Postar um comentário